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Price range: 93,85 € through 275,53 €Viropil
Price range: 328,91 € through 858,45 €A Realidade do HIV Prevenção e Tratamento na Luta Contínua da Saúde Pública Mundial
A gestão do Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) é uma área da medicina que tem testemunhado avanços extraordinários nas últimas décadas. O que antes era uma doença progressiva e fatal, transformou-se numa condição crónica e controlável, permitindo que as pessoas com VIH vivam vidas longas, saudáveis e produtivas. Esta revolução deve-se em grande parte ao desenvolvimento contínuo de medicamentos antirretrovirais eficazes, que atuam de diversas formas para combater o vírus, proteger o sistema imunitário e prevenir a transmissão.
Nesta categoria, exploramos o vasto panorama dos medicamentos utilizados no tratamento e prevenção do VIH. O nosso objetivo é fornecer uma visão abrangente e detalhada sobre as diferentes classes de fármacos, os seus mecanismos de ação, exemplos de medicamentos populares e os regimes de tratamento modernos. Compreender estas opções é fundamental para quem vive com VIH, para os seus cuidadores e para todos os interessados em saúde pública e na prevenção da infeção, contribuindo para uma comunidade mais informada e resiliente em Portugal e no mundo.
A Doença do VIH e a Importância do Tratamento Antirretroviral (TARV)
O Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) é um retrovírus que ataca o sistema imunitário do corpo, enfraquecendo a capacidade de combater infeções e certas doenças. O VIH atua especificamente sobre os linfócitos T CD4+, que são células essenciais para uma resposta imunitária eficaz. Sem tratamento, a infeção por VIH pode progredir para a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), uma fase avançada da doença caracterizada por um sistema imunitário severamente comprometido e o surgimento de infeções oportunistas e cancros.
O tratamento antirretroviral (TARV) é a pedra angular da gestão do VIH. O seu principal objetivo é suprimir a replicação do vírus no organismo, reduzindo a carga viral (a quantidade de vírus no sangue) para níveis indetectáveis. Quando a carga viral é indetectável, o vírus não pode ser transmitido sexualmente, um conceito conhecido como "Indetectável = Intransmissível" (I=I). Além disso, o TARV permite a recuperação e preservação do sistema imunitário, melhorando a saúde geral da pessoa, prevenindo a progressão para a SIDA e prolongando significativamente a esperança de vida. Os avanços nos medicamentos antirretrovirais transformaram o VIH de uma sentença de morte numa condição crónica gerível, permitindo que as pessoas com VIH em Portugal e noutros países vivam vidas plenas e ativas.
Como Atuam os Medicamentos Antirretrovirais?
Os medicamentos antirretrovirais (ARV) funcionam bloqueando diferentes estágios do ciclo de vida do VIH, impedindo-o de se replicar e de infetar novas células. A combinação de vários medicamentos de diferentes classes, conhecida como terapia combinada, é crucial para maximizar a eficácia do tratamento e minimizar o risco de desenvolvimento de resistência viral. Atualmente, existem várias classes de ARV, cada uma com um mecanismo de ação distinto:
- Inibidores da Transcriptase Reversa Nucleosídeos/Nucleotídeos (ITRN/ITRNT): Estes fármacos são "análogos de nucleosídeos" ou "análogos de nucleotídeos" que mimetizam os blocos de construção do ADN. O VIH utiliza uma enzima chamada transcriptase reversa para converter o seu ARN viral em ADN, que pode ser integrado no ADN da célula hospedeira. Os ITRN/ITRNT enganam a transcriptase reversa, sendo incorporados na cadeia de ADN viral em formação e interrompendo o processo de replicação do vírus.
- Inibidores da Transcriptase Reversa Não-Nucleosídeos (ITRNN): Ao contrário dos ITRN/ITRNT, os ITRNN ligam-se diretamente à enzima transcriptase reversa numa área diferente do seu sítio ativo, alterando a sua forma e impedindo-a de funcionar corretamente. Desta forma, bloqueiam a conversão do ARN viral em ADN.
- Inibidores da Protease (IP): A protease é uma enzima viral essencial que corta as longas cadeias de proteínas do VIH em proteínas menores e funcionais, que são necessárias para montar novos vírus. Os IP bloqueiam esta enzima, resultando na produção de partículas virais imaturas e não infecciosas. Para aumentar a sua eficácia e prolongar a sua meia-vida, os IP são frequentemente coadministrados com potenciadores farmacocinéticos, como o ritonavir ou o cobicistat.
- Inibidores da Integrase (INI): A integrase é uma enzima viral responsável por integrar o ADN viral (que foi transcrito a partir do ARN) no ADN da célula hospedeira. Os INI bloqueiam esta etapa crucial, impedindo que o material genético do VIH se torne parte permanente do genoma da célula hospedeira, o que impede a replicação viral.
- Inibidores da Fusão/Entrada: Estes medicamentos atuam nas fases iniciais do ciclo de vida do VIH, antes mesmo de o vírus entrar na célula.
- Inibidores da Fusão: Impedem que o VIH se funda com a membrana da célula CD4+, bloqueando a entrada do vírus na célula.
- Antagonistas do CCR5: O VIH precisa de se ligar a recetores específicos na superfície da célula CD4+ (normalmente CCR5 ou CXCR4) para entrar. Os antagonistas do CCR5 ligam-se a este recetor na célula humana, impedindo que o VIH se ligue e, consequentemente, entre na célula.
- Inibidores da Ligação Pós-Afixação: Atuam numa fase ligeiramente posterior à ligação inicial, impedindo alterações conformacionais necessárias para a entrada do vírus.
Principais Classes de Medicamentos para o VIH e Exemplos Comuns
O arsenal terapêutico para o VIH é vasto e diversificado, permitindo que os profissionais de saúde adaptem os regimes de tratamento às necessidades individuais de cada paciente. A escolha de um regime depende de vários fatores, incluindo a história de tratamento do paciente, a presença de mutações de resistência viral, outras condições médicas e a tolerabilidade aos medicamentos. Abaixo, detalhamos as principais classes e alguns dos medicamentos mais relevantes, incluindo opções de alto custo e regimes combinados que são comuns em Portugal.
Inibidores da Transcriptase Reversa Nucleosídeos/Nucleotídeos (ITRN/ITRNT)
- Tenofovir Disoproxil Fumarato (TDF): Um ITRNT amplamente utilizado, muitas vezes em combinação. É eficaz, mas pode estar associado a toxicidade renal e diminuição da densidade óssea em alguns pacientes. Nome comercial comum em combinações: Viread (como componente único), Truvada (com emtricitabina).
- Tenofovir Alafenamida (TAF): Uma pró-droga mais recente do tenofovir, que oferece uma eficácia antiviral semelhante ao TDF, mas com doses mais baixas e um perfil de segurança melhorado para os rins e os ossos. Tornou-se um pilar em muitos regimes combinados de dose única. Nomes comerciais comuns em combinações: Descovy (com emtricitabina), Biktarvy (com bictegravir e emtricitabina), Genvoya (com elvitegravir, cobicistat e emtricitabina).
- Emtricitabina (FTC): Um ITRN potente e bem tolerado, quase sempre usado em combinação com outros ITRN/ITRNT (como TDF ou TAF). Nome comercial comum em combinações: Emtriva (como componente único), Truvada, Descovy, Biktarvy, Genvoya, Odefsey.
- Lamivudina (3TC): Outro ITRN eficaz e bem tolerado, frequentemente combinado com outros ITRN/ITRNT. Tem um perfil de segurança favorável. Nome comercial comum em combinações: Epivir (como componente único), Kivexa (com abacavir), Triumeq (com dolutegravir e abacavir), Dovato (com dolutegravir).
- Abacavir (ABC): Um ITRN potente. É importante que os pacientes sejam testados para o alelo HLA-B*5701 antes de iniciar o tratamento com abacavir, devido ao risco de uma reação de hipersensibilidade grave. Nome comercial comum em combinações: Ziagen (como componente único), Kivexa (com lamivudina), Triumeq (com dolutegravir e lamivudina).
Inibidores da Transcriptase Reversa Não-Nucleosídeos (ITRNN)
- Efavirenz (EFV): Um ITRNN mais antigo, mas ainda eficaz. Pode causar efeitos secundários no sistema nervoso central (tonturas, sonhos vívidos) e tem potencial para interações medicamentosas. Nome comercial comum: Sustiva.
- Rilpivirina (RPV): Um ITRNN com um perfil de segurança geralmente favorável e menos efeitos no SNC do que o efavirenz. No entanto, requer ser tomado com uma refeição e é menos eficaz em pacientes com cargas virais elevadas no início do tratamento. Nome comercial comum: Edurant.
- Doravirina (DOR): Um ITRNN de nova geração que geralmente é bem tolerado, com um bom perfil de segurança e menos interações medicamentosas em comparação com outros ITRNN. Não requer ser tomado com uma refeição. Nome comercial comum em combinações: Pifeltro (como componente único), Delstrigo (com lamivudina e TDF).
Inibidores da Protease (IP)
Frequentemente usados em regimes para pacientes com resistência a outras classes ou como parte de esquemas de segunda linha. Quase sempre coadministrados com um "potenciador" (ritonavir ou cobicistat).
- Darunavir (DRV): Um IP potente e bem tolerado. É frequentemente usado com um potenciador (cobicistat ou ritonavir) e é uma escolha comum para pacientes com alguma resistência ou para resgate terapêutico. Nome comercial comum: Prezista. Em combinação de dose única: Symtuza (com cobicistat, tenofovir alafenamida e emtricitabina).
- Atazanavir (ATV): Outro IP eficaz, que pode causar hiperbilirrubinemia (icterícia), resultando em amarelamento da pele e dos olhos, mas geralmente sem consequências graves para a saúde. Também coadministrado com um potenciador. Nome comercial comum: Reyataz.
- Lopinavir/Ritonavir (LPV/r): Uma combinação fixa de dois IP, onde o ritonavir atua como potenciador. Foi um dos primeiros e mais importantes IP, mas agora é menos usado como primeira linha devido à disponibilidade de opções com perfis de efeitos secundários mais favoráveis. Nome comercial comum: Kaletra.
Inibidores da Integrase (INI)
Esta classe é a preferida na maioria dos regimes de primeira linha devido à sua alta potência, rápido início de ação, bom perfil de segurança e tolerabilidade.
- Dolutegravir (DTG): Um INI amplamente utilizado devido à sua alta barreira à resistência, eficácia e bom perfil de segurança. É uma escolha de primeira linha em muitos países, incluindo Portugal. Nome comercial comum: Tivicay. Em combinação de dose única: Triumeq (com abacavir e lamivudina), Dovato (com lamivudina).
- Bictegravir (BIC): Outro INI de nova geração, com alta potência e uma barreira à resistência favorável. Está disponível apenas em combinação de dose única com TAF e FTC. Nome comercial comum em combinação de dose única: Biktarvy.
- Raltegravir (RAL): O primeiro INI aprovado. É eficaz, bem tolerado e tem poucas interações medicamentosas. Requer doseamento duas vezes ao dia. Nome comercial comum: Isentress.
- Elvitegravir (EVG): Um INI que necessita de ser coadministrado com um potenciador (cobicistat) para atingir concentrações terapêuticas. Disponível apenas em combinações de dose única. Nome comercial comum em combinação de dose única: Genvoya (com cobicistat, tenofovir alafenamida e emtricitabina).
Inibidores da Fusão/Entrada e Outros
Utilizados em situações mais específicas, frequentemente para pacientes com experiência de tratamento e resistência a outras classes.
- Enfuvirtida: Um inibidor da fusão, administrado por injeção subcutânea duas vezes ao dia. Geralmente reservado para pacientes com VIH multirresistente. Nome comercial comum: Fuzeon.
- Maraviroc: Um antagonista do CCR5. Só é eficaz em pacientes cujo VIH usa o correceptor CCR5 (um tropismo que precisa de ser testado antes do tratamento). Nome comercial comum: Celsentri.
- Ibalizumab: Um inibidor da ligação pós-afixação, administrado por via intravenosa. Usado para pacientes multirresistentes. Nome comercial comum: Trogarzo.
- Fostemsavir: Um inibidor da ligação da glicoproteína gp120 viral à célula hospedeira. Para pacientes adultos com VIH multirresistente. Nome comercial comum: Rukobia.
Regimes de Tratamento de Dose Única (STRs)
Os STRs (Single-Tablet Regimens) são formulações que combinam múltiplos medicamentos antirretrovirais de diferentes classes numa única pílula, tomada uma vez ao dia. Estes regimes revolucionaram o tratamento do VIH, simplificando significativamente a vida dos pacientes e melhorando a adesão ao tratamento, o que é crucial para o sucesso a longo prazo. A conveniência de tomar apenas um comprimido por dia reduz a carga da medicação e a probabilidade de esquecimentos.
Alguns dos STRs mais comuns e eficazes incluem:
- Biktarvy (Bictegravir/Tenofovir Alafenamida/Emtricitabina): Considerado um dos regimes de primeira linha mais recomendados. É extremamente potente, bem tolerado e tem uma elevada barreira à resistência. Uma opção de alto custo que oferece excelente eficácia e segurança.
- Triumeq (Dolutegravir/Abacavir/Lamivudina): Outro regime de primeira linha altamente eficaz e bem tolerado. Requer o teste para o alelo HLA-B*5701 antes do início devido ao componente abacavir.
- Dovato (Dolutegravir/Lamivudina): Um regime de dois medicamentos, em vez dos habituais três, para pacientes sem resistência conhecida ou com carga viral muito elevada. É bem tolerado e oferece uma alternativa para aqueles que desejam reduzir o número de medicamentos.
- Genvoya (Elvitegravir/Cobicistat/Tenofovir Alafenamida/Emtricitabina): Uma combinação potente que foi um dos primeiros STRs baseados em TAF. O elvitegravir requer o potenciador cobicistat.
- Odefsey (Rilpivirina/Tenofovir Alafenamida/Emtricitabina): Um STR que contém rilpivirina, um ITRNN. Geralmente bem tolerado, mas requer ser tomado com uma refeição e não é recomendado para pacientes com alta carga viral inicial.
- Symtuza (Darunavir/Cobicistat/Tenofovir Alafenamida/Emtricitabina): Um STR que inclui um inibidor da protease (darunavir), tornando-o uma opção para pacientes com alguma resistência ou naqueles para quem um regime baseado em INI não é adequado.
Estes regimes simplificados facilitam a vida de muitos pacientes em Portugal, permitindo uma gestão mais discreta e eficaz da sua condição.
Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e Pós-Exposição (PEP)
Além do tratamento para pessoas que já vivem com VIH, os medicamentos antirretrovirais desempenham um papel vital na prevenção da infeção. A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) são ferramentas poderosas que contribuem significativamente para a redução da transmissão do VIH.
- Profilaxia Pré-Exposição (PrEP): A PrEP envolve a toma diária de um medicamento antirretroviral (geralmente uma combinação de tenofovir e emtricitabina) por pessoas seronegativas para o VIH que estão em risco substancial de contrair a infeção. Ao tomar a PrEP, os medicamentos criam uma barreira protetora no organismo, impedindo o VIH de se estabelecer caso haja exposição ao vírus. A PrEP é altamente eficaz na prevenção da transmissão sexual do VIH e também pode prevenir a transmissão através da partilha de agulhas. Em Portugal, a PrEP está disponível e é um componente crucial das estratégias de saúde pública para combater o VIH, demonstrando o compromisso do país com a prevenção inovadora. Os medicamentos aprovados para PrEP incluem:
- Truvada (Tenofovir Disoproxil Fumarato/Emtricitabina): O regime PrEP original, altamente eficaz e amplamente utilizado.
- Descovy (Tenofovir Alafenamida/Emtricitabina): Uma versão mais recente da combinação, com um perfil de segurança melhorado em relação aos ossos e rins em comparação com o Truvada.
- Profilaxia Pós-Exposição (PEP): A PEP é uma terapia antirretroviral de curta duração (geralmente 28 dias) que deve ser iniciada o mais rapidamente possível após uma possível exposição ao VIH (idealmente nas primeiras 72 horas). A PEP é utilizada em situações de emergência, como após uma relação sexual sem proteção, partilha de agulhas, acidentes com picadas de agulha em profissionais de saúde ou agressões sexuais. O objetivo da PEP é impedir que o vírus se estabeleça no organismo. É essencial procurar atendimento médico imediatamente após uma possível exposição para avaliar a necessidade de PEP.
Tanto a PrEP quanto a PEP são estratégias preventivas vitais que, em conjunto com outras medidas como o uso consistente de preservativos e a testagem regular, contribuem para um futuro sem novas infeções por VIH.
A Importância da Adesão ao Tratamento e Monitorização
O sucesso do tratamento do VIH depende criticamente da adesão rigorosa e consistente ao regime medicamentoso. Tomar os medicamentos exatamente como prescrito, todos os dias e à mesma hora, é fundamental para manter a carga viral suprimida e evitar o desenvolvimento de resistência aos fármacos. A má adesão pode levar a:
- Falha virológica: A carga viral pode não ser suprimida ou pode voltar a aumentar.
- Desenvolvimento de resistência: O vírus pode sofrer mutações que o tornam resistente aos medicamentos que estão a ser tomados, comprometendo as opções de tratamento futuras.
- Deterioração do sistema imunitário: A contagem de células CD4+ pode diminuir, aumentando o risco de infeções oportunistas e progressão da doença.
- Perda dos benefícios da prevenção (I=I): Se a carga viral não for indetectável, o risco de transmissão sexual aumenta.
Para além da adesão, a monitorização regular é uma parte integrante do cuidado do VIH. Os pacientes precisam de fazer consultas médicas regulares e exames laboratoriais, que geralmente incluem:
- Carga viral: Para medir a quantidade de VIH no sangue e confirmar a supressão viral.
- Contagem de células CD4+: Para avaliar a força do sistema imunitário.
- Testes de resistência: Se houver falha virológica, para identificar mutações que afetam a eficácia dos medicamentos.
- Testes de rotina: Para monitorizar a saúde geral, a função renal, hepática e os níveis de lípidos, que podem ser afetados pelo VIH ou pelos medicamentos.
A gestão dos efeitos secundários é também um aspeto importante. Embora os medicamentos modernos sejam muito mais bem tolerados do que no passado, alguns pacientes podem experienciar efeitos adversos. É crucial comunicar qualquer sintoma ao médico, pois muitas vezes existem estratégias para gerir esses efeitos, seja através de medicação adicional, ajustes na dieta ou, se necessário, alteração do regime terapêutico. A equipa de saúde em Portugal está empenhada em apoiar as pessoas com VIH para garantir a melhor qualidade de vida possível.
Tabela Comparativa de Medicamentos Antirretrovirais Selecionados
A seguir, apresentamos uma tabela comparativa de alguns dos medicamentos antirretrovirais mais importantes, incluindo regimes de dose única e componentes-chave. Esta tabela visa destacar as suas principais características, vantagens e considerações. Os custos mencionados são indicativos e podem variar significativamente, sendo que muitos dos medicamentos mais recentes e eficazes tendem a ter um custo mais elevado.
| Nome Comercial (Exemplos) | Substâncias Ativas | Classe(s) Terapêutica(s) | Regime | Vantagens Principais | Considerações Importantes | Custo Estimado (Relativo) |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Biktarvy | Bictegravir / Tenofovir Alafenamida (TAF) / Emtricitabina (FTC) | INI / ITRNT / ITRN | Dose Única (1x/dia) | Alta potência, alta barreira à resistência, excelente tolerabilidade, perfil de segurança renal/ósseo favorável (TAF). Preferido para muitos como 1ª linha. | Não recomendado para pacientes com função renal gravemente comprometida (eGFR < 30 mL/min). Não há genéricos disponíveis. | Muito Alta |
| Triumeq | Dolutegravir (DTG) / Abacavir (ABC) / Lamivudina (3TC) | INI / ITRN / ITRN | Dose Única (1x/dia) | Potente, alta barreira à resistência, bom perfil de segurança. | Requer teste HLA-B*5701 negativo devido ao abacavir (risco de hipersensibilidade grave). Contraindicado em pacientes com função hepática moderada/grave. | Alta |
| Dovato | Dolutegravir (DTG) / Lamivudina (3TC) | INI / ITRN | Dose Única (1x/dia) | Regime de 2 medicamentos (menor exposição a fármacos), boa tolerabilidade, alta barreira à resistência. | Não recomendado para iniciar tratamento em pacientes com carga viral muito alta (> 500.000 cópias/mL) ou com infeção por hepatite B sem outro tratamento ativo. | Alta |
| Genvoya | Elvitegravir / Cobicistat / Tenofovir Alafenamida (TAF) / Emtricitabina (FTC) | INI / Potenciador / ITRNT / ITRN | Dose Única (1x/dia) | Eficaz, bom perfil de segurança renal/ósseo (TAF), conveniente. | Elvitegravir requer potenciador (cobicistat), que tem potencial para interações medicamentosas. Não recomendado para pacientes com eGFR < 30 mL/min. | Muito Alta |
| Isentress | Raltegravir | INI | Comprimido (1-2x/dia) | Bem tolerado, poucas interações medicamentosas, eficaz. | Doseado 2x/dia, o que pode ser menos conveniente que os STRs de dose única. | Alta |
| Prezista (com Norvir ou Tybost) | Darunavir (potenciado por Ritonavir ou Cobicistat) | IP | Comprimido (1-2x/dia) | Potente, alta barreira à resistência, opção para resgate terapêutico ou resistência a outras classes. | Necessita de ser tomado com um potenciador (ritonavir ou cobicistat), o que aumenta as interações medicamentosas. | Variável (componente IP alto) |
| Truvada | Tenofovir Disoproxil Fumarato (TDF) / Emtricitabina (FTC) | ITRNT / ITRN | Comprimido (1x/dia) | Base de muitos regimes, eficaz, usado também para PrEP. | Associações com toxicidade renal e óssea (TDF) em alguns pacientes. Disponibilidade de genéricos. | Moderada (com genéricos) |
| Descovy | Tenofovir Alafenamida (TAF) / Emtricitabina (FTC) | ITRNT / ITRN | Comprimido (1x/dia) | Melhor perfil de segurança renal/ósseo que Truvada, eficaz, usado para PrEP. | Não para PrEP em pessoas que se identificam como mulheres e têm risco de VIH predominantemente por via vaginal. Mais caro que Truvada genérico. | Alta |
| Tivicay | Dolutegravir (DTG) | INI | Comprimido (1x/dia) | Alta potência, alta barreira à resistência, excelente tolerabilidade. Usado em combinação com outros ITRN/ITRNT. | Potencial para aumento de peso em alguns indivíduos. | Alta |
| Symtuza | Darunavir / Cobicistat / Tenofovir Alafenamida (TAF) / Emtricitabina (FTC) | IP / Potenciador / ITRNT / ITRN | Dose Única (1x/dia) | Regime completo baseado em IP, eficaz para pacientes com resistência ou que necessitam de um IP. Bom perfil de segurança renal/ósseo (TAF). | Potencial para interações medicamentosas devido ao cobicistat e darunavir. Não é primeira linha para todos. | Muito Alta |
Esta tabela serve como um guia geral. A escolha do medicamento ou regime deve ser sempre feita por um profissional de saúde, após avaliação detalhada da história clínica, perfil viral e outras condições do paciente.
A jornada do tratamento do VIH percorreu um longo caminho, transformando uma condição outrora temida numa doença gerível. Em Portugal, tal como no resto do mundo, o acesso a estes medicamentos inovadores e a uma abordagem de tratamento individualizada tem sido fundamental para melhorar a qualidade de vida das pessoas com VIH e para conter a epidemia. A ciência continua a avançar, com investigações em curso para terapias ainda mais eficazes, com menos efeitos secundários e com posologias mais simples, incluindo medicamentos de ação prolongada.
É vital que as pessoas com VIH continuem a ter acesso aos cuidados de saúde, à monitorização regular e ao apoio contínuo para garantir o sucesso do tratamento e o bem-estar geral. Com o compromisso de profissionais de saúde, inovação farmacêutica e estratégias de prevenção robustas, estamos mais próximos do que nunca de um futuro onde o VIH não represente uma ameaça para a saúde pública.